A eleição presidencial de 2026 mostrou diferenças entre regiões de São Paulo, onde os votos não se distribuíram de maneira uniforme. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados na análise indicam contrastes entre bairros da capital.
Consolação e Tatuapé tiveram resultados distintos no segundo turno, embora apresentem rendas médias próximas. A comparação aponta que a renda, isoladamente, não explica as diferenças de votação.
Nos locais de votação de áreas periféricas e com menor escolaridade, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro mudou entre o primeiro e o segundo turno de 2026, em comparação com 2022.

A análise também compara o Centro Antigo com outras áreas de escolaridade semelhante e considera renda, idade e escolaridade. Dados sobre religião e composição das famílias ajudam a descrever as regiões, mas não demonstram como cada indivíduo votou nem provam o que causou suas escolhas.
Diferenças entre bairros mostram os limites da renda para explicar o voto
Nos dados do segundo turno das eleições 2026 em São Paulo, a Consolação deu a Lula praticamente 67% dos votos, enquanto no Tatuapé ele obteve cerca de 41,5%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados na análise. A diferença aparece entre dois bairros da capital com resultados bastante distintos.
As rendas médias informadas para as regiões são próximas: aproximadamente R$ 7.700 na Consolação e R$ 8.200 no Tatuapé. A distância entre esses valores contrasta com a diferença nas proporções de votos para Lula nos dois bairros.
A comparação mostra que os dados de renda, considerados isoladamente, não descrevem o padrão de votação observado nos bairros paulistanos. Os percentuais do TSE se referem aos resultados eleitorais por localidade, e não permitem concluir como cada morador votou a partir da renda média da região.
Mudanças entre turnos e particularidades do Centro Antigo
Nos locais de votação com menor escolaridade, a proporção registrada na comparação entre os votos de Lula e Flávio Bolsonaro caiu cerca de cinco pontos em relação a 2022: passou de 64,3% para 59,3% no primeiro turno de 2026. A redução foi observada em áreas periféricas da cidade.
No segundo turno, o movimento se inverteu: Lula avançou mais nos locais de votação com menor escolaridade do que naqueles com maior escolaridade. A análise aponta essa mudança entre as duas etapas da eleição presidencial de 2026.
O Centro Antigo se destacou entre as regiões de maior escolaridade: Lula recebeu ali quase 58% dos votos no segundo turno. Em áreas de escolaridade semelhante fora dessa região, sua votação ficou entre 46% e 48%; uma diferença parecida foi identificada em três turnos presidenciais.
Mesmo considerando renda, idade e escolaridade, a análise encontrou no Centro Antigo uma vantagem de 12 pontos para Lula no segundo turno. Na região, 21% dos moradores não declaram religião, ante 14% nas áreas comparadas; além disso, 37% das famílias têm apenas uma pessoa, contra 25% fora dali.

