Um advogado é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de apresentar substabelecimentos falsos para obter valores depositados judicialmente por seguradoras. A apuração envolve dois episódios em processos no estado.
A investigação começou após uma operadora de plano de saúde identificar movimentação suspeita em ação que tramitava na 2ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, na capital paulista. Uma revisão interna da seguradora levou à identificação de outro caso em Santo André.
Em julho de 2026, a Justiça autorizou buscas na residência e no escritório do investigado. A diligência foi acompanhada por representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas o advogado não foi localizado.

O inquérito foi instaurado para apurar possível falsificação de documento particular, prevista no art. 298 do Código Penal (CP). A investigação segue sem conclusão sobre a responsabilidade do profissional.
Suspeitas de pedidos de levantamento em dois processos
Em uma ação relacionada a uma seguradora, havia sido feito em 2010 um depósito judicial de R$ 81.701 para cumprir uma decisão liminar. A condenação acabou quitada em outro procedimento, mas o valor depositado originalmente continuou disponível para levantamento.
Segundo as informações encaminhadas à polícia, em novembro de 2025 o advogado apresentou um substabelecimento que supostamente lhe dava poderes para representar a companhia. Com base no documento, pediu que o dinheiro fosse transferido para sua conta pessoal e que os procuradores que já atuavam no processo fossem retirados dos autos.
O escritório responsável pela ação comunicou a movimentação à seguradora, cuja representante jurídica negou ter assinado o documento. A assinatura eletrônica não pôde ser validada; após a suspeita ser levada ao juízo, o levantamento foi suspenso e o advogado pediu para deixar o processo.
Inquérito apura possível falsificação e inclui busca
Na outra situação identificada pela seguradora, a execução havia sido extinta, mas um depósito judicial feito em 1997 permaneceu retido. Conforme as informações apresentadas, o valor alcançava aproximadamente R$ 121 mil.
O mesmo advogado teria juntado dois substabelecimentos com assinaturas supostamente falsificadas e solicitado a transferência da quantia para sua conta bancária. Somados aos R$ 81.701 do outro processo, os valores envolvidos nos dois episódios chegam a cerca de R$ 202,7 mil.
Intimado pela Polícia Civil de São Paulo a prestar esclarecimentos, o advogado não compareceu nem justificou a ausência. Durante as buscas na residência e no escritório, foi apreendido um notebook para perícia; o inquérito permanece em andamento, sem conclusão sobre a responsabilidade do investigado.


